07 janeiro 2019

Por dentro do Vale do Piracicaba, o promissor polo tecnológico brasileiro

Como na Califórnia, as principais empresas de tecnologia passaram a se situar em torno de um centro universitário: a Esalq, eleita entre as cinco melhores do mundo com curso de ciências agrárias

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Todos estamos acompanhando essa evolução tecnológica do setor agropecuário brasileiro e existe uma região geográfica que já reúne empresas e startups voltadas para o setor. Conhecido também como o Vale do Silício Brasileiro, em homenagem ao famoso vale norte-americano, o Vale do Piracicaba tem como principal centro formador a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

“Nós entendemos que esse centro tecnológico tinha que ser baseado no modelo existente na Califórnia. Lá, eles usam como base as universidades, que funcionam como um centro de gravidade e disseminador de conhecimento e empreendedores”, disse o gerente-executivo da Eslqtech, Sérgio Barbosa.

Esse modelo também vai ao encontro da história da Esalq e Piracicaba. O centro de estudo surgiu no início do século passado, com um grande empreendedor  chamado Luis de Queiroz. Atualmente, a instituição figura entre as cinco melhores do mundo com curso de ciências agrárias.

Como na Califórnia, as principais empresas de tecnologia passaram a se situar em torno das universidades. “Acredito que esse movimento tem uma repercussão muito interessante. Já somos procurado e visitados por diversas delegações de países como Israel, Estados Unido, Canadá e europeus”, falou.

Segundo Barbosa, essa movimentação tecnológica que acontece no interior paulista é inédita no mundo, já que faz parte de uma rede integrada de pequenas iniciativas regionais, como as registradas em Cuiabá, Londrina, Minas Gerais e Espírito Santo. “Vejo com bons olhos essa procura de soluções regionais”, completou.

EsalqShow

Durante a nossa visita a Piracicaba, participamos do EsalqShow, um fórum de inovação para o agronegócio sustentável. Lá foram recebidos pequenos e grandes agricultores, estudantes, universitários, investidores e startups.

Lá, nós conhecemos um pouco mais a Inceres, uma startup que saiu da Esalq e já caminha comas próprias pernas, como explicou o CEO Leonardo Menegatte. “Em 2011 eu comecei a montar uma equipe de desenvolvimento interno. Em 2013, surgiu a primeira versão do que iria a ser o Enceres, uma plataforma de soluções de sistema de agricultura de precisão. Desde então, fui tomando gosto pela programação e T.I.”

Segundo ele, o primeiro contato com investidores foi em 2018 e o negócio foi fechado. Logo depois, veio a fase de incubação e programas de aceleração. “Duas coisas mudaram a minha vida nesse período: o MBA e os programas de aceleração, onde a gente aprende a destrinchar um problema e colocar uma solução, o que é fantástico”, contou.

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