29 junho 2019

Os Anjos voaram mais baixo em 2018

Volume de recursos reduziu no último ano, com R$980 milhões em investimento Anjo no Brasil.

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Foto anjos

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Estive nesta semana no “Congresso de Investimento Anjo 2019”, promovido pela Anjos do Brasil, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo fomentar o crescimento do investimento anjo ​para o apoio ao empreendedorismo de inovação brasileiro. Para quem não tem claro o conceito de Investimento Anjo, tratamos disso em artigo no AgEvolution. Relembrando, é o aporte realizado por pessoas físicas e com seu capital próprio em empresas nascentes com alto potencial de crescimento, como as startups.

No evento foi apresentada a tradicional pesquisa anual da entidade, que retrata a performance do setor em termos de valores, negócios realizados e número de investidores na modalidade. Nesta edição foi relatado um dado que preocupa, quando comparamos 2018 com 2017, a estagnação do volume recursos ao redor dos R$980 milhões em investimento Anjo no Brasil. A boa notícia é que houve um pequeno aumento (2%) no número de investidores que participaram deste tipo de operação, que chegou a 7.750.

Depois de histórico de crescimento a estagnação em 2018

Dentre as razões apontadas pela direção da entidade, além da recessão, a redução no número de milionários brasileiros e a saída de investidores do país. Parece meio estranho, mas pelo relativo pequeno volume de investidores pode até fazer sentido. Deixando de lado este curioso argumento, fica claro que este modelo de financiamento ainda é muito pouco disseminado por aqui quando comparado a outros países, portanto, muito ainda a ser feito. Apesar da mencionada estagnação, o que vi foi uma plateia lotada de investidores ou interessados em virar Anjo. Além disso, muito conteúdo interessante sobre experiências de investidores e empresas investidas.

E falando de experiências de investidores, começamos com Helisson Lemos, da Movile, que tem entre suas investidas PlayKids, Wavy, Sympla, Zoop e o unicórnio iFood . Interessante ver que na maioria destas startups o investimento foi feito na fase bem inicial, ainda no desenvolvimento de produtos. O que mais me marcou na conversa foi a ênfase dada pelo Helisson na importância de conhecer e acreditar nos empreendedores. O time é fundamental, todos dizem isso, mas quando ele fala de conhecer, é estar junto e checar a fundo o perfil das pessoas que estarão a frente do negócio pelos anos seguintes. Quase uma avaliação psicológica, de vida profissional e pessoal, hábitos, reações e alinhamento a cultura da organização. Faz sentido, e pelo sucesso das investidas não dá para discordar!

Sobre a evolução do negócio até um IPO na Nasdaq, Bernardo Carneiro, sócio do unicórnio brasileiro Stone , trouxe uma visão de sucesso muito conectada a experiência do cliente, que deve ter suas expectativas atendidas em uma relação mais humanizada. Para exemplificar este approach, dois exemplos: a decisão de ter call centers com pessoas no atendimento, sem o uso de robôs; e outro mais pitoresco e curioso, mostrando duas fotos da equipe da empresa com o primeiro cliente, de apelido “Mineiro”. Na primeira foto em uma reunião com o time de liderança discutindo estratégia, e outra no IPO na Nasdaq em New York. Sim, o seu primeiro cliente estava lá para acompanhar o sucesso da empresa naquele momento mágico. Com uma história de 20 anos de evolução em soluções financeiras, chegar ao IPO é a demonstração de que nada acontece do dia para a noite. Apesar da normal ansiedade dos empreendedores em chegar ao topo, na opinião de Bernardo é preciso ter muita resiliência e foco. E foi este o caso deles.

Outro assunto que me chamou atenção foi o debate sobre a Governança nas Startups. Embasados no recente material preparado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), o caderno Governança Corporativa para Startups & Scale-ups, ficou claro o consenso da importância de incluir a Governança no início de vida das empresas. Bons princípios trazem mais chance de sucesso, a condução do negócio de forma ordenada e transparente ajuda a empresa a caminhar mais longe, mais rápido e com menos risco.

Enfim, apesar do voo mais baixo dos “Anjos” em 2018, pela quantidade de congressistas presentes e entusiasmo demonstrado nas apresentações, acredito que haja uma alternativa interessante com este modelo de financiamento nos próximos anos. E da mesma forma, com a evolução na maturidade de nossas startups, poderemos ter mais espaço para novos investidores participarem das oportunidades que se abrem com a digitalização e criação de negócios inovadores.

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AUTOR:

Donário Lopes de Almeida

Engenheiro Agrônomo e Jornalista, com MBA em gestão e cursos executivos em reconhecidas escolas como Harvard, Universidade de Wisconsin, Universidade de Toronto, na Singularity University e, recentemente, na UC Berkeley, no Vale do Silício. Entre 2006 e 2017 foi presidente do Canal Rural, onde atua hoje como Conselheiro. Um entusiasta do Agronegócio e da tecnologia, vem direcionando seu foco no entendimento e debate sobre as oportunidades de digitalização da Agropecuária, a Agricultura 4.0.

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