08 julho 2019

O futuro pode transformar micróbios em unicórnios

Com a pressão cada vez maior sobre o tema sustentabilidade, a biotecnologia pode ser uma grande parceira, e o uso de inseticidas botânicos, feromônios, substâncias atraentes e repelentes, serão opções para o manejo de resistência e alternativa ao uso de defensivos químicos.

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Em recente visita ao Vale do Silício Brasileiro, como gostam de se apresentar os participantes do ecossistema de inovação de Piracicaba, SP, curti boas horas de  debate sobre oportunidades na área de Biotecnologia, no 7° AgTech Day promovido pela EsalqTec (Incubadora da Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz). Vale destacar que o evento desta vez aconteceu no Parque Tecnológico de Piracicaba.

Evento lotado de pesquisadores e empreendedores

Temos falado tanto em novas tecnologias, sempre derivando para o uso de inteligência artificial, drones, veículos autônomos, sensores, enfim, a lista é grande e repleta de novas siglas e potenciais soluções mágicas para os problemas no campo. Então me deparei neste AgTech Day com apresentações que falavam de fungos, bactérias, enzimas e insetos, coisas que aparentemente não tem nada de hightech, e bem menos sedutoras que um supercomputador de bordo em um trator autônomo. Apesar desta percepção inicial, quando começamos a ver os caminhos que a biotecnologia pode nos abrir, fica claro o potencial de uso e oportunidades de aumento de eficiência de nossas lavoura e criações.

Com a pressão cada vez maior sobre o tema sustentabilidade, a biotecnologia pode ser uma grande parceira, e o uso de inseticidas botânicos, feromônios, substâncias atraentes e repelentes, serão opções para o manejo de resistência e alternativa ao uso de defensivos químicos. E o que dizer das oportunidades em melhoramento genético, edição genômica, alimentos inteligentes, tudo isso gerando novas aplicações e soluções mais eficientes nas cadeias produtivas do Agro.

No caso de proteção de plantas, um mercado estimado de US$9 bilhões no Brasil, o uso de biodefensivos ainda é pequeno, ao redor de US$150 milhões ou 1% do total, ou seja, um mercado gigante ainda a ser conquistado. Afinal, não é isso que Startups buscam, além de um grande problema um grande mercado? E pelo que pude ver em Piracicaba, já temos vários empreendedores pesquisando e atuando na ampliação de uso de soluções biológicas para problemas hoje resolvidos com a química.

As oportunidades estão em várias frentes, seja no desenvolvimento de produtos biológicos, mas também em novos métodos de aplicação, técnicas de liberação destes organismos, aumento de tempo de prateleira de fungos, nematóides e vírus, e a produção automatizada destes produtos. As soluções biológicas tem um componente de complexidade, afinal, estamos falando de organismos vivos que precisam ser levados a campo e enfrentar adversidades até que possam atuar e resolver os problemas. Por isso mesmo a inovação é chave neste processo, e abre caminho para novas empresas e empreendedores.

Assim como em Piracicaba a ESALQ vem aproximando seus laboratórios e pesquisadores com empreendedores, o que fica claro em eventos como o AgTech Day, é fundamental que estas experiências sejam disseminadas, e tenhamos a pesquisa mais perto do mercado. O grande desafio é levar mais rapidamente os ganhos potenciais da tecnologia para o campo, melhorando produtividade, gerando mais renda e uma produção agropecuária mais sustentável. Segundo Sérgio Marcus Barbosa, gerente executivo da EsalqTec, “O AgTech Day é o momento de encontro do ecossistema de inovação da região. E uma de suas expertises é a biotecnologia, por isso o foco no tema nesta edição”.

A partir das tendências de mercado que estamos vendo hoje, como maior demanda por estratégias sustentáveis, a perda de resistência de plantas transgênicas, e a conscientização do uso excessivo de pesticidas, fica evidente que a biotecnologia, que alia tecnologia com o conhecimento da biologia, deverá ter um papel cada vez mais importante no mercado agropecuário. E se microrganismos passarem a ter um papel macro em nosso futuro, quem sabe um dia micróbios não virem unicórnios? A conferir…

AUTOR:

Donário Lopes de Almeida

Engenheiro Agrônomo e Jornalista, com MBA em gestão e cursos executivos em reconhecidas escolas como Harvard, Universidade de Wisconsin, Universidade de Toronto e, recentemente, na Singularity University, no Vale do Silício. Entre 2006 e 2017 foi presidente do Canal Rural, onde atua hoje como Conselheiro. Um entusiasta do Agronegócio e da tecnologia, vem direcionando seu foco no entendimento e debate sobre as oportunidades de digitalização da Agropecuária, a Agricultura 4.0.

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